#cronica – Quem narra, consente.

Este texto encontra-se em vídeo no canal do Youtube da Caturra Digital Filmes – Playlist “Aconteceu na Caturra“.

QUEM NARRA, CONSENTE.

Salve a cidade que foi nascida e crescida por “gentes” e malabaristas de capital.Ela nota que suas curvas e varandas recebem o sol em brasa, a menina bonita, a parede cheia de cor.

Tem a cidade que fala de livro, recebe a letra e digere o passo do palco. A gente voa por cima da cidade que fala de livro, deve ser porque ter asa é igual ser a Alice no país das maravilhas pretas, que vencem, que pulsam naquele hotel cheio de portas grandes e janelas sem fim.

Tem a cidade da mulher assustada que anda, que procura fé, que fica doida, que corre do medo que dorme com ela. A mulher de vermelho que é dona da cidade, que é linda, que é rua, que é barulho que não dorme.

Tem cidade moderna que vira cidade de índio, programa de índio, programa de índia. Da Krenak que sai da aldeia e conta pra supremacia que a vida precisa de água limpa.

Tem cidade de margarida bonita feita o mar. Margarida que pisa o asfalto que péla o pé da terra. Porque tem pé forte, tem pé grosso, chapéu e bandeira. Ela grita contra o óbvio, não, pelo jeito nem todo mundo se informou sobre o óbvio. A menina que mora longe já entendeu e as meninas de cá também.

Tem Tha no meio da rua de graça, com fita amarela, sem preconceito, manda recado pra cidade. Cidade de todo mundo, cheia de pedaço, abram os caminhos que ela chega!

Tem a mulher foda que já entendeu que letra tem coração, ela abre a alma como caixa de surpresa de festa. Já… ela já entendeu que a vida é fora da forma. Tem casa boa que aconchega o mundo, sabe aquele que se sente diferente?

Aqui quem narra é alguém que ouve, que registra, que aperta botão vermelho pra contar história de muitas vidas. Fica até parecendo que quem conta história dos outros não tem a sua. Quem narra tem, só fica discreta, sem topete, sem tapete. Quem narra come marmita na calçada, compromete sono, vira lata de idéia boa.

Quem narra compra luta e briga pelo certo. Faz e refaz mil vezes uma história pra ficar boa. Quem narra tem que ter alma boa, quem narra tem que ter um pouco de alma de criança, de natureza, de coragem pra enfrentar dor, sem frescura, sem roupa.

Quem narra fica chato com quem não narra, cadê o seu coração? Coração coitado não narra, coração medroso não narra, coração preguiçoso não narra, coração mau não narra.

A vida tá cheia de desenhos bonitos, e almas pra lavar.

Quem narra, consente.

Por Raquel Alvarez – Produtora e jornalista

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